Em algum canto do mundo existe uma universidade com uma proposta um pouco diferente. Eles não têm programas ou cursos fixos, mas sim encontros semestrais que discutem quais devem ser os principais tópicos estudados no semestre seguinte, de modo que os horários e matérias são sempre discutidos, inventados ou reinventados.
Essa proposta me pareceu ao mesmo tempo expansiva e restritiva. Por um lado, acredito que a humanidade, ao dividir seus conhecimentos em "áreas" ou "campos" fragmentou também o entendimento que temos do mundo, de modo que, para entendermos determinada questão precisamos enxergá-la de diversos pontos-de-vista. O ideal seria que tivéssemos entendimento sobre todas as "áreas" de conhecimento da humanidade, mas como uma só coisa (alô, Da Vinci, Galileu, Newton...). Como é impossível reagrupar todo o conhecimento humano, a ideia da
Singularity University é genial: vamos nos focar nos problemas do mundo e tentar resolvê-los, desenvolvendo as tecnologias existentes e "exponencializando o conhecimento".
Na prática, entretanto, parece que essa "universidade" acaba por ser um centro gigantesco de P & D ou de formação de CEOs. Na verdade, acredito que essa instituição, embora bem intencionada, acabe por formar pessoas para substituir os líderes dos parceiros da
SU, grupo formado por organizações médias ou pequenas, que necessitam de espaço e visibilidade no cenário mundial, como Google, Nasa ou Nokia.
Esse tipo de iniciativa é um marco na história do conhecimento, na medida que propõe a quebra de barreiras e estimula a procura de soluções para problemas recentes. Podemos aprender duplamente com a
SU: devemos ter como meta o fundamento que levou à formação da universidade (estar sempre a frente, na vanguarda), mas nos nossos termos, ou seja, com a proposta de ampliar, e não só de "exponencializar" o conhecimento.